sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Recuso-me

Perdoem-me, mas não deixarei de ser sentimentalóide. Não que eu não almeje, no entanto ainda sou cafona em demasia para modificar-me por completo.
Perder isso de mim é como sacrificar minha essência, o ar, a vida.
Certamente isso pode soar meio idiota, exagerado ou esdrúxulo, entretanto são características minhas e, por mais que eu venha me moldando, a velha rabugenta "eu" ainda domina a maior parte de mim, mesmo lutando fortemente contra ela.
Sim, já não adolesço como outrora e foram inúmeras as primaveras que passei, mas me recuso a desacreditar no amor e no ser humano. Recuso-me a ser tão velha a ponto de desistir da vida, do romance e da felicidade momentânea.
Recuso-me a me moldar de acordo com os anseios de uma maioria que não sabe o que quer e só faz apontar defeitos. Recuso-me a viver sem risos, micos e besteiras. 
Recuso-me a viver entediada sempre e abdico qualquer sentimento cuja intenção seja apenas me deixar infeliz. 
Recuso-me a aceitar e recusar tudo indiscriminadamente, e, pra falar a verdade, recuso-me a pedir perdão pelo que sou.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

METAMORFOSE

Através dos teus olhos vi o mundo
E é com meus olhos chorosos que te enxergo
Olhos que antes estavam cegos e agora tem um ar de sofreguidão.

Os meus ouvidos antes surdos escutam tua voz, quente como o sol
Mas é da tua boca quando está inquieta
Que sinto minha alma na tua
O encontro de dois mundos semelhantes e diferentes entre si
É através de teus lábios que o teu beijo estala em minha boca
Nossos caminhos se encontram e vivem em constante harmonia
Mas é do teu coração corrupto que bate à toa
Que eu vejo claramente as tuas faces.

A razão me invade e me consola
Nossos atos não se entendem
Nossos gestos passam a ser diferentes de outrora.
Nossos corpos perderam a alma
Nossos sorrisos perderam o gracejo
Criamos um mundo de iniquidade
E a fortaleza era nosso desejo.

Achava que o “para sempre” seria eterno
Confundia-me só em pensar que não era utopia
Desiludi-me quando logo descobri
Que era falcatrua o que chamávamos alegria

Um dia vi teus olhos serenos
A tristeza os consumia...
Logo após os vi maldosos
Sem a paixão que nasceu um dia.

Tu fizeste o meu suspiro ser de tormento
Mas dessa forma fui despertada do que me afligia
Descobri nos teus atos minha força
E hoje vejo que tudo não passou de fantasia.

Sei que não estou isenta de culpa
É fato que errei também
Todavia, vivemos em plena METAMORFOSE
E esse mal só me ensinou o que é o bem.

Às vezes aturdimos nossos pensamentos
E acreditamos que nossos sonhos estão perdidos no universo
Buscamos na vida o nada
Enquanto do tudo depende nosso progresso.

Olhemos nossas vidas com coragem
De nada vai adiantar ter medo da escuridão
De qualquer lado pode haver o precipício
Mas só o amor verdadeiro salvará teu coração.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pensando em nós dois

Pensando em você fiquei a divagar
Imaginando outro rumo que a história poderia tomar
Pensei em você
Lembrei-me de mim
Lembrei que eu parti
E você se foi
Estamos distantes e me sinto perto
De uma forma estranha
De uma maneira cruel
E sinto tua falta como se já tivéssemos vivido toda uma grande história
É engraçado, mas havia uma familiaridade descomunal
Não nos conhecíamos
Não nos conhecemos
E me parece impossível nos conhecer
Já que por casualidade do destino
Por erro nosso
_ Ah, essa péssima memória minha!
Não manteremos nenhum contato
Mas a história vai ficar gravada em minha cabeça
E talvez na sua, não sei...
E sinto a saudade esdrúxula das duas noites que te vi
E sinto saudades dos beijos que não demos
Dos abraços
Dos afagos
Do clima
Do desejo
Sinto a falta de momentos que tive e não tive
Sinto falta de nós dois.

As palavras
o momento
não voltam...
lamento!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Onde ele está?

Todos os meus dias têm sido análogos, a pesar das diferenças. Pode até parecer contraditório no primeiro olhar, mas calma, vou lhe explicar.
Tenho inúmeras tarefas e os meus dias, em partes, não são nada iguais. Faço mil e uma coisas, pratico atividades físicas, cuido da casa, da família, das atividades do meu trabalho remunerado, dos não remunerados, dos estudos, de mim... Ufa! Cansa só de pensar. Mas até aí tudo bem e devo ter inclusive esquecido de algo. Ah, lembrei! Na verdade nem cogitei a ideia de esquecer-me do motivo da igualdade dos meus dias: você.
Pois Bem, penso em você por horas a fio e é uma sensação gostosa e dolorosa concomitantemente. Gostosa como o teu sorriso magnífico, estampado de dentes brancos, a ternura e encantamento de seus olhos. Dolorosa porque a saudade maltrata e bate forte como açoite.
Hummm... Pensar em açoites me remete a lembranças do que não ocorreu infelizmente porque, por motivos bem consistentes, não sucumbi a teus charmes e investidas. E olha que foi difícil!
Por diversas vezes, por conta da volúpia, do desejo fremente por sexo, a gente acaba perdendo a cabeça, mas eu consegui superar as emoções, sensações e tentações do momento e pensar nas consequências de meus atos. Tipo, eu não poderia me sujeitar aos teus anseios, perder a compostura e sofrer depois, sem você e sem o amor-próprio.
Sei. Fiz uma escolha difícil! Não seria nada mal perder-me por completo nas mãos, lábios e tudo o mais de um desconhecido, lindo, fofo, charmoso, com pegada e, sobretudo, com sentimentos tão ternos e ao mesmo tempo carnais, cuja fisionomia rezo por não esquecer.
Deus e eu sabemos o quanto sofri (e sofro) por tentar ser correta no agir. Certo que cubro um santo descobrindo o outro, entretanto tenho tentado acertar e isso tem me posto a refletir se realmente vale a pena. Decerto desconheço essa certeza e acho que nunca terei afirmação concreta a respeito disso. Na verdade, nem sei se quero saber.
Pode ser que ninguém me entenda e certamente não me importo com isso. Opiniões alheias me dão náuseas na maioria das vezes. Contudo você precisou do “baque” da negação. Nem todas as mulheres querem apenas sexo, assim como nem todas almejam compromisso ou algo similar. Quanto a mim? Bem, não podia me sujeitar a sua proposta indecente (não me refiro ao ato sexual em si, sim as circunstâncias e pormenores) e seu pensamento egoísta. E aí eu te perdi provavelmente da forma que te perderia.
Eu havia prometido pra mim que não perderia as estribeiras, entretanto me pego insistentemente olhando tua imagem em meu celular ou computador, imaginando cenas lindas de nós dois juntos. Uma mulher circunspecta sentindo-se adolescente e, por mais que eu tente negar, já estou comprometida num relacionamento com uma simples fotografia, uma imagem que me olha atônita, pasma devido minha atitude. E sei que devo me livrar, que é só minha mente, daí recordo-me da tua voz quente e deliciosa e da maneira que entregou seus sentimentos teimosamente a mim. E definitivamente não sei de mais nada e simplesmente me perco buscando te achar.

Diga-me agora: Onde você está?

(Luzitânia Silva)